quinta-feira, 16 de maio de 2013

Fórmula 1 - Opiniões e números.



A BBC “elegeu” uma lista de 20 maiores pilotos de todos os tempos. Não sei quem participa da votação de uma lista como essa, mas algumas discrepâncias são tão absurdas que dificilmente seriam “especialistas”. Mitos não são obrigatoriamente os melhores. Gilles Villeneuve, por exemplo, tornou-se mito pela morte prematura e coragem mostrada nas pistas, mas está longe de ser um top20. É um mito, porém não foi um piloto “genial”. Façam as listas, mas coloquem as listas como preferências e especifiquem de quem, não as coloquem como apuração de fatos, principalmente porque não há critérios para definição desta escolha a não ser o puramente pessoal.  Já fiz minha lista de top10 aqui, mas esta lista segue a ordem de preferência pessoal.

Sempre fui contra o uso de estatísticas para se definir o melhor, principalmente quando envolve atletas de épocas diferentes. Na Fórmula-1 até os anos 90, os carros quebravam muito. Na década de 90 começou a ter uma predominância do valor do carro sobre o valor do piloto, portanto os números dos pilotos das melhores equipes foram alavancados assustadoramente.  Porém as estatísticas descrevem fatos sem “achismo”. Tendo como exemplo Nelson Piquet, meu piloto favorito, cansei de assistir corridas em que ele era o mais rápido na pista, mas o carro (Brabham principalmente) quebrava e o deixava na mão. Estas quebras prejudicaram a sua estatística. Mas ao analisar as escolhas da “tal” lista da BBC pode-se perceber que os números de Piquet, Brabham, Ascari, Vettel e Fangio, foram completamente subestimados. Então cedi a estatística e fiz uma análise dos pilotos campeões e daqueles que tinham no mínimo 5 vitórias na F-1, num total de 51 pilotos. Foram pontuados gradativamente conforme suas posições em número de poles, percentual de poles por corrida, seguido do número e percentual de vitórias e depois do número e percentual de títulos, com cada categoria tendo um peso, sendo os máximos o número de títulos e percentual de títulos, afinal o título de campeão é mais importante que a vitória, assim como a vitória é mais importante que a pole.

O resultado desta estatística foi a seguinte:
P
Piloto
Título x5
% Tít x5
Vit x3
% Vit x4
Pole x1
% Pole x2
Pontos
01
J M Fangio
5(02-245p)
62,50(01-250p)
24(10-123p)
46,15(01-200p)
29(07-44p)
55,77(01-100p)
962
02
M Schumacher
7(01-250p)
38,89(04-235p)
91(01-150p)
29,55(04-188p)
68(01-50p)
22,08(08-86p)
959
03
S Vettel
3(04-235p)
60,00(02-245p)
28(06-135p)
26,42(06-180p)
38(03-48p)
35,85(05-92p)
935
04
A Senna
3(04-235p)
30,00(07-220p)
41(03-144p)
25,31(07-176p)
65(02-49p)
40,12(04-94p)
918
05
A Prost
4(03-240p)
30,77(06-225p)
51(02-147p)
25,25(08-172p)
33(04-47p)
16,34(12-78p)
909
06
J Stewart
3(04-235p)
33,33(05-230p)
27(07-132p)
27,00(05-184p)
17(16-35p)
17,00(09-84p)
900
07
J Clark
2(10-205p)
25,00(08-215p)
25(08-129p)
34,25(03-192p)
33(04-47p)
45,21(02-98p)
886
08
A Ascari
2(10-205p)
40,00(03-240p)
13(21-90p)
39,39(02-196p)
14(20-31p)
42,42(03-96p)
858
09
N Lauda
3(04-235p)
25,00(08-215p)
25(08-129p)
14,12(16-140p)
24(10-41p)
13,56(19-64p)
824
10
N Piquet
3(04-235p)
23,08(10-205p)
23(11-120p)
11,28(18-132p)
24(10-41p)
11,77(20-62p)
795
11
F Alonso
2(10-205p)
18,18(12-195p)
32(04-141p)
15,76(13-152p)
22(12-39p)
10,84(24-54p)
786
12
L Hamilton
1(16-175p)
16,67(15-180p)
21(13-114p)
18,26(10-164p)
27(08-43p)
23,48(07-88p)
764
13
M Hakkinen
2(10-205p)
18,18(12-195p)
20(14-111p)
12,12(17-136p)
26(09-42p)
15,76(14-74p)
763
14
J Brabham
3(04-235p)
18,75(11-200p)
14(18-99p)
10,94(20-124p)
13(24-27p)
10,16(26-50p)
735
15
D Hill
1(16-175p)
12,50(21-150p)
22(12-117p)
18,03(11-160p)
20(13-38p)
16,39(11-80p)
720
16
N Mansell
1(16-175p)
07,14(32-95p)
31(05-138p)
16,23(12-156p)
32(06-45p)
16,75(10-82p)
691
17
J Hunt
1(16-175p)
16,67(15-180p)
10(29-66p)
10,75(21-120p)
14(20-31p)
15,05(15-72p)
644
18
E Fittipaldi
2(10-205p)
18,18(12-195p)
14(18-99p)
09,40(25-104p)
6(37-14p)
04,03(40-22p)
639
19
K Raikkonen
1(16-175p)
10,00(26-125p)
20(14-111p)
10,99(19-128p)
16(17-34p)
08,79(27-48p)
621
20
G Hill
2(10-205p)
11,11(23-140p)
14(18-99p)
07,82(30-84p)
13(24-27p)
07,26(32-38p)
603
21
G Farina
1(16-175p)
16,67(15-180p)
5(45-18p)
14,71(15-144p)
5(42-09p)
14,71(16-70p)
596
22
M Andretti
1(16-175p)
07,69(30-105p)
13(21-90p)
09,92(23-112p)
18(14-37p)
13,74(17-68p)
587
23
J Rindt
1(16-175p)
14,28(18-165p)
6(38-39p)
09,67(24-108p)
10(32-19p)
16,13(13-76p)
582
24
A Jones
1(16-175p)
11,11(23-140p)
12(24-81p)
10,26(22-116p)
6(37-14p)
05,13(36-30p)
556
25
J Villeneuve
1(16-175p)
09,09(28-115p)
11(26-75p)
06,67(33-72p)
13(24-27p)
07,88(30-42p)
506
26
J Scheckter
1(16-175p)
12,50(21-150p)
10(29-66p)
08,85(26-100p)
3(46-05p)
02,65(48-06p)
502
27
J Button
1(16-175p)
07,69(30-105p)
15(17-102p)
06,38(35-64p)
8(33-18p)
03,40(44-14p)
478
28
P Hill
1(16-175p)
14,28(18-165p)
3(LT-00p)
05,88(38-52p)
6(37-14p)
11,76(21-60p)
466
29
M Hawthorn
1(16-175p)
14,28(18-165p)
3(LT-00p)
06,38(35-64p)
4(45-06p)
08,51(28-46p)
456
30
J Surtees
1(16-175p)
09,09(28-115p)
6(38-39p)
05,31(39-48p)
8(33-18p)
07,08(33-36p)
431
31
D Hulme
1(16-175p)
10,00(26-125p)
8(34-51p)
07,14(32-76p)
1(LT-00p)
00,89(LT-00p)
427
32
S Moss
0(LT-00p)
(LT-00p)
16(16-105p)
23,88(09-168p)
16(17-34p)
23,88(06-90p)
397
33
K Rosberg
1(16-175p)
11,11(23-140p)
5(45-18p)
03,91(44-28p)
5(42-09p)
03,91(41-20p)
390
34
R Peterson
0(LT-00p)
(LT-00p)
10(29-66p)
08,13(29-88p)
14(20-31p)
11,38(22-58p)
243
35
T Brooks
0(LT-00p)
(LT-00p)
6(38-39p)
15,38(14-148p)
3(46-05p)
07,69(31-40p)
232
36
J P Montoya
0(LT-00p)
(LT-00p)
7(36-45p)
07,37(31-80p)
13(24-27p)
13,68(18-66p)
218
37
C Reutmman
0(LT-00p)
(LT-00p)
12(24-81p)
08,22(28-92p)
6(37-14p)
04,10(39-24p)
211
38
F Massa
0(LT-00p)
(LT-00p)
11(26-75p)
06,15(37-56p)
15(19-32p)
08,38(29-44p)
207
39
J Ickx
0(LT-00p)
(LT-00p)
8(34-51p)
06,56(34-68p)
13(24-27p)
10,66(25-52p)
198
40
D Coulthard
0(LT-00p)
(LT-00p)
13(21-90p)
05,26(40-44p)
12(29-22p)
04,86(37-28p)
184
41
R Arnoux
0(LT-00p)
(LT-00p)
7(36-45p)
04,24(43-32p)
18(14-37p)
10,90(23-56p)
170
42
G Berger
0(LT-00p)
(LT-00p)
10(29-66p)
04,76(41-40p)
12(29-22p)
05,71(34-34p)
162
43
R Barrichello
0(LT-00p)
(LT-00p)
11(26-75p)
03,37(46-20p)
14(20-31p)
04,29(38-26p)
152
44
G Villeneuve
0(LT-00p)
(LT-00p)
6(38-39p)
08,82(27-96p)
2(48-03p)
02,94(47-08p)
146
45
M Webber
0(LT-00p)
(LT-00p)
9(33-54p)
04,43(42-36p)
11(31-20p)
05,42(35-32p)
142
46
J Laffite
0(LT-00p)
(LT-00p)
6(38-39p)
03,33(47-16p)
7(36-15p)
03,89(42-18p)
88
47
R Schumacher
0(LT-00p)
(LT-00p)
6(38-39p)
03,30(48-12p)
6(37-14p)
03,30(45-12p)
77
48
C Regazzoni
0(LT-00p)
(LT-00p)
5(45-18p)
03,60(45-24p)
5(42-09p)
03,60(43-16p)
67
49
R Patrese
0(LT-00p)
(LT-00p)
6(38-39p)
02,33(LT-00p)
8(33-18p)
03,11(46-10p)
67
50
J Watson
0(LT-00p)
(LT-00p)
5(45-18p)
03,25(49-08p)
2(48-03p)
01,30(49-04p)
33
51
M Alboreto
0(LT-00p)
(LT-00p)
5(45-18p)
02,33(LT-00p)
2(48-03p)
00,93(50-02p)
23

Olhando os resultados vê-se que apesar de se dar mais importância ao título, as vitórias, poles e seus percentuais também foram significativos. Assim Fangio com 5 títulos ficou na frente de Schumacher com 7 títulos, devido aos mais elevados percentuais da categoria. Os tricampeões Vettel, a surpresa da lista, e Senna ficaram na frente do Tetra Prost, assim como bicampeões ficaram a frente de tricampeões. Apesar do resultado desta estatística montada por mim ter resultados que não seriam minha escolha pessoal achei que ela foi representativa e com uma vantagem, não tem “achismo”, é pura análise das variáveis títulos, vitórias e poles e seus percentuais, graduados em importância relativa.

Fiz também uma comparação entre a lista da BBC e o resultado da estatística e a minha opinião que tem Nuvolari, sem estatísticas porque correu antes da F-1 ser “oficializada”. Tirem as conclusões.

Piloto
BBC
 Estatística.
Minha Opinião
Kimi Raikkonen
NL
19
12
Tazio Nuvolari
NL
NL
6
Jochen Rindt
20
23
17
Graham Hill
19
20
16
Jack Brabham
18
14
9
Emerson Fittipaldi
17
18
10
Nelson Piquet
16
10
4
Lewis Hamilton
15
12
15
Mika Hakkinen
14
13
NL
Nigel Mansell
13
16
19
Gilles Villeneuve
12
44
NL
Alberto Ascari
11
8
13
Fernando Alonso
10
11
18
Niki Lauda
9
9
8
Sebastian Vettel
8
3
14
Jackie Stewart
7
6
11
Stirling Moss
6
32
20
Alain Prost
5
5
5
Michael Schumacher
4
2
7
Jim Clark
3
7
3
Juan Manuel Fangio
2
1
1
Ayrton Senna
1
4
2

domingo, 5 de maio de 2013

Stirling Moss, as mulheres e o automobilismo.


Simona de Silvestro

Stirling Moss, ex-piloto inglês de Formula-1 entre os anos de 1951 e 1961, deu recentemente mais uma de suas declarações polêmicas. Chamar a atual declaração de polêmica é um gesto de gentileza com este velho senhor. Uma descrição mais verdadeira seria chamá-la de declaração imbecil. A declaração: “Eu acho que elas tem a força mas eu não sei se possuem a atitude mental para correrem duramente, disputarem roda a roda”.

Antes de entrar no mérito da declaração, é necessário um esclarecimento sobre quem é Stirling Moss, uma vez que a memória esportiva brasileira é imediata. Stirling Moss é considerado o “melhor piloto a vencer corridas sem ter conquistado um título mundial”, alcunha dada pelos jornalistas ingleses, lembrando que a Fórmula-1 sempre foi um esporte de equipes inglesas, alemãs e italianas.  Suas dezesseis vitórias em Grandes Prêmios é um feito esportivo importante, porém em termos de títulos conseguiu apenas um tetra-vice seguido.

Se na pista Stirling Moss demonstrou talento, fora dela especializou-se em declarações polêmicas. As piores delas veio na época em que Jackie Stewart, tri-campeão de Fórmula-1, lutava para melhorar as condições de segurança dos autódromos. Moss declarou-se contra a luta de Stewart dizendo que a “graça” da Fórmula-1 estava justamente no alto risco de morte. O talento e equipes “seguras” impediu o Stirling Moss de perder a vida em uma pista de corridas, mas durante os anos em que correu ele viu morrer na Fórmula-1 vinte e seis pilotos, entre eles os talentosos Luigi Fagioli, Alberto Ascari e Wolfgang von Trips. Todas estas mortes, apenas em seu tempo de atividade, não fez diferença para Stirling Moss, voz ativa contra as medidas de segurança pretendidas por Jackie Stewart. A opinião de Moss foi usada pelos “organizadores” e proprietários dos autódromos retardarem o máximo que puderam as medidas solicitadas por Stewart. Por conta dessa sua opinião é que penso no inglês Stirling Moss como o predecessor de outro inglês na alcunha de “idiota veloz”.
 Lella Lombardi

Sobre as mulheres na Fórmula-1, também discordo completamente do Stirling Moss. Se a Simona de Silvestro, piloto (ou seria pilota?) suíça que corre na Indy, tivesse um carro bom na Fórmula-1 faria melhor que muitos pilotos homens que lá estão atualmente.

Sobre este tema, hoje pela manhã o Esporte Espetacular passou uma reportagem, muito mixuruca, aonde se deu destaque a “pioneira” Maria de Filippis, de resultados inexpressivos. E foi pioneira em termos oficiais, pois antes de se tornar a Fórmula-1 em 1950, pilotos mulheres já haviam participado de Grandes Prêmios pela Europa. A reportagem do Esporte Espetacular apenas citou a Lella Lombardi, que conseguiu o feito de pontuar quando apenas os seis primeiros lugares pontuavam na Fórmula-1. Ela é quem deveria ter sido entrevistada, chegar entre os seis primeiros na Fórmula-1 tem uma importância que é apenas superada pela Michele Mouton, primeira e única mulher a vencer uma etapa do Mundial de Rally (WCR). Mouton venceu no total quatro etapas e tornou-se indubitavelmente o maior nome feminino das pistas.

Conclusão: Simona de Silvestro, Lella Lombardi e Michelle Mouton são exemplos perfeitos de que as mulheres disputam roda a roda contra homens, este número poderia ser bem maior não fosse o preconceito típico da primeira metade do século XX ainda permanecer na Fórmula-1 e na mentalidade de dirigentes e ex-pilotos como o Stirling Moss. 
 Michele Mouton

sábado, 4 de maio de 2013

Game of Thrones – O dilema entre a imaginação e a imagem.



Aviso de Spoiler.

A série Game of Thrones, da HBO, com o fim da série Fringe (Série mais criativa de todos os tempos), assumiu o posto da liderança em criatividade entre as séries. Porém como toda série ou filme baseada em livros perde-se a imaginação combinada autor-leitor ao dar imagem as cenas e personagens. E é exatamente neste ponto que a série falha apesar de apresentar a maior vantagem possível que é ter o autor dos livros George Martin entre seus roteiristas. Não sei da relevância do autor na escolha do elenco, uma das mais perfeitas. Os atores parecem saídos das páginas dos livros.

Tinha tudo para ser perfeito, então, onde o “calo” da série aperta? É justamente no roteiro da série, se os atores parecem que saíram dos livros, os personagens não, ficaram presos entre as páginas do livro. Como roteirista principal, o grande culpado por isso é o próprio autor do livro George Martin, talvez no desejo de trazer algo novo para a série descaracterizou personagens perfeitos, principalmente os seguintes personagens: Jaime Lannister (bem mais humano no livro) o que o tornou, sem dúvida, o personagem mais interessante do livro juntamente com seu irmão Tyrion; Lady Stark, que perdeu metade de suas contradições e John Snow, que na série parece mais ingênuo que determinado.

Meus personagens favoritos são justamente os irmãos Lannister, que  estão sendo interpretados por atores perfeitos. Tyrion, interpretado por Peter Dinklage, foi “conservado” pelo autor e demonstra na série todas as suas características oriundas do livro: ironia, sarcasmo, inteligência, devassidão e algo pouco notado pelas críticas literárias ou televisivas, seu imenso egocentrismo. Esta condescendência, o autor não teve com o irmão Jaime Lannister. O autor o transformou no grande vilão da série. Neste personagem estão as maiores diferenças entre o livro e a série, em minha opinião, mudou-se para pior. Vejamos algumas diferenças:

1. Na série, a imagem foi clara, Jaime empurrou Bran Stark da janela. No livro Cersei pedia a Jaime para dar um jeito no garoto por flagrá-los em momento íntimo, no entanto, o braço estendido de Jaime não foi para empurrá-lo e sim para pegá-lo, pois o garoto assustado desequilibrou-se. Jaime não conseguiu evitar a queda, mas foi o que ele tentou fazer.

2. Jaime matou um primo na série tentando fugir, mas no livro este primo foi libertado por Lady Stark juntamente com Jaime.  

3. Jaime falou das safiras com a intenção de proteger Brienne, mas no livro teve somada a intenção de ouvir o fanho (estranhamente curado na série) que decepou sua mão falar a palavra safira, o que mostra o quanto irônico era Jaime antes de perder a mão da espada.

4. O grande ato de heroísmo de Jaime em relação à Brienne foi omitida na série. Jaime já tinha sido libertado enquanto Brienne permanecia prisioneira. Jaime voltou para resgatá-la quando a encontra lutando contra um urso. Ele interpõe-se entre o Urso e Brienne, sem saber o que fazer já que perdera a mão da espada.

Estes foram só alguns exemplos das mudanças de um personagem complexo, capaz de quebrar um juramento para salvar a vida do pai e de milhares de inocentes mandados queimar pelo rei louco que ele matou; capaz de manter fidelidade ao seu grande amor, sua irmã gêmea Cersei, lembrando que isto, no livro, era comum entre os nobres da casa do Dragão.  

Se a intenção do autor de “vilanizar” Jaime foi tornar a sua “redenção” maior, ele caiu em um erro de estruturação de personagem, pois mesmo que sendo ficção, sabemos que se pode mudar a imagem de alguém, que ele pode ser “imaginado” de diversas maneiras, mas também sabemos que se pode mudar o comportamento, mas a estrutura da personalidade permanece. Pessoas mudam para melhor ou para pior, mas ninguém deixa de ser um “demônio” para se tornar um “santo”, ou vice-versa.

Resumo da ópera: Por ser roteirista da série, o autor do livro poderia tornar a série igual ou até melhor do que o livro, o que é raro, se é que já aconteceu, mas o fato é de que o livro é MUITO melhor, principalmente porque conta com algo que a imagem e sua informação não permite, a imaginação do leitor.