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terça-feira, 19 de março de 2013

Kamilla e o Tapete de Vagalumes.



Vinte e poucos anos atrás sofri uma desilusão amorosa que me levou ao estado de depressão. Minha irmã, para tentar me animar levou-me para sua fazenda no interior da Bahia para passar o feriadão do São João. Sem nenhuma animação e cansado de escrever trocentas poesias patéticas e desenhar trocentos ângulos da minha “alma gêmea” resolvi aceitar.

Em um final de tarde, perto do por do sol, estávamos eu, minha irmã e seu marido, meus sobrinhos e suas namoradas sentados na frente da sede da fazenda olhando para a montanha do outro lado, cheia de árvores. De repente algumas luzes foram se acendendo e apagando. Em poucos minutos se formou uma gigantesca esteira de vagalumes pairando sobre as árvores como um tapete voador de luzes pisca-pisca.  O tapete começou a descer a montanha, vindo em nossa direção em um espetáculo dos mais belos que já assisti na vida. E tudo o que pude pensar foi: “Que pena que ela não está aqui comigo para ver isso”. Aquele momento de beleza lírica perdia-se na minha depressão. Que desperdício.

Poucos dias depois de eu ter voltado do São João no interior da Bahia, recebi um convite para fazer uma pós-graduação no Rio de Janeiro, aonde vivi os próximos anos e os mais felizes da minha vida. Em menos de uma semana a natureza me brindou com um espetáculo visual (que apesar de não ter aproveitado no instante que se dera, graças a excelente memória visual que tenho, consegui guardar toda a beleza daquele momento) e recebi um brinde do universo, na forma de um convite, que aceitei para deixar de pensar no amor perdido, mas que terminou por me fazer encontrar os melhores anos de minha vida.

Por que me lembro disto agora? Porque estes dias tive uma grande decepção, não amorosa, mas social, ao perceber o quanto cruéis podem ser as pessoas com alguém tão cheia de qualidades apenas porque esta pessoa tem pequenos defeitos que são aceitos, por estas mesmas pessoas capazes de tanto ódio, em suas relações cotidianas. O que fizeram com Kamilla neste BBB realmente me abalou.

O que o tapete de vagalumes tem a ver com isso? Ora, eu NÃO acredito em coincidências, acredito em destino, não no destino programado, mas no realizado pelo dia a dia. Após ter associado a visão do tapete de vagalumes ao universo me oferecendo a possibilidade de ser feliz, toda vez que algo me abala, eu apenas sento, REVIVO a sensação de ver o tapete voador de vagalumes se formando, descendo a montanha e apenas espero. Espero que o Universo novamente conspire para me trazer um momento de felicidade compensatória. E o Universo traz, sempre traz.

Então, abalado pela covardia das pessoas contra esta menina que é capaz de andar no arco-íris procurando seu pote de tesouro que não é preenchido de moedas, mas de felicidade, parei, sentei, REVIVI o meu tapete voador de vagalumes e agora estou à espera. Da compensação do Universo.

sábado, 16 de março de 2013

Fani e a Doação.



Tinha prometido não mais escrever sobre o BBB aqui no Blog, mas existem promessas que as circunstâncias exigem que sejam quebradas. Certamente vão achar que foi por um pedido especial, mas tão importante quanto este pedido, foi o pedido de minha consciência para fazer uma das coisas que meu pai tanto me falou na infância. A gratidão é a uma das principais virtudes do ser humano.  Outra virtude que meu pai tanto admirava era a doação ao próximo. E meu pai foi exemplar nestas duas virtudes e eu sinceramente espero um dia chegar aos pés dele.

Estas duas qualidades estão muito presentes na Fani. Ela, no BBB13, foi desestabilizada por muitos na casa e encontrou na menina Kamilla uma amiga, a quem também ofereceu a sua amizade, que para todos que torceram por Kamilla foi a amizade que ofereceu o melhor que se pode ter de um amigo. Fani ouviu com paciência a agitada menina Kamilla, em vez de estressá-la contrariando-a, aconselhava-a com palavras suaves e ditas na hora certa, guardava segredo e não saia criticando a Kamilla, muito pelo contrário, defendeu Kamilla até para a amiga Anamara. Fani com Kamilla mostrou as duas virtudes, gratidão pela amizade que sentia da Kamilla e doação, estando presente sempre que Kamilla precisou.

Se tivesse que escolher qual virtude que acho mais forte na Fani eu escolheria a doação. Anamara neste BBB contou o quanto a Fani a ajudou quando ela mais precisou.  Outra qualidade da Fani é a sinceridade, quando ela discordava de alguém, dizia para esta pessoa e não por trás e o fazia elegantemente. Está na minha memória a conversa dela com Marian, Marié, Mariá, qualquer @#$%&*%# que seja o nome. E tantas outras conversas. Kamilla é elegante no porte, no gesto, na dança e na alegria, Fani é elegante na fala quando precisa. Já sei que vão comentar sobre os palavrões, etc... Mas o que eu estou dizendo, é que na hora da onça beber água, é que vemos a verdadeira postura de uma pessoa e a Fani é sim, muito elegante.

Soube por um amigo do Twitter que Fani quer fazer Medicina. Sou médico e tenho a certeza que ela será uma grande médica porque tem algo que não é muito comum hoje em dia que é a virtude de se doar ao próximo. Sei que ela vai sofrer muito na profissão de médica, que é a consequência para quem se doa, luta e acaba vendo que não recebe o suporte das instituições governamentais. Mas ela vai superar tudo isso. Quanto ao BBB, gostaria muito que Fani fosse a vencedora do prêmio para que possa custear o caro estudo de Medicina, e assim eu possa contar nas fileiras da minha profissão com esta extraordinária guerreira de Nova Iguaçu. UH-HU.

sábado, 9 de março de 2013

BBB do Bullying.



Este será o meu último post sobre BBB. Não me importam mais o desenrolar do jogo e quem vença ou perca, apesar de torcer por uma participante e ainda votar pela sua permanência. Caso ela vença ou não, nada mudará o que se passou. E o passado deste BBB é infame, monstruoso e desalentador quando se analisa as características de uma sociedade que permite tamanha agressão a uma única pessoa.

A menina Kamilla, mal entrou na casa, sofreu uma enxurrada de críticas de TODOS os outros participantes, com talvez a exceção de Fani. Nem posso garantir porque apesar de ter dedicado algum tempo a assistir este BBB, não assisto muito por ter muitas outras coisas a fazer.  Mas no “tanto” que assistia havia uma constante: A Kamilla sendo criticada em conversas. Até mesmo Fernanda, uma das futuras “amigas” de Kamilla, logo no início criticou a Kamilla para as outras moças, no quarto do líder, referindo-se as “batidas” de cabelo, gesto que depois ela mesma passou a fazer. E essa foi a menor das críticas feitas a Kamilla. Com o participante Ivan liderando a prática do Bullying contra Kamilla, com o tempo as agressões morais foram se acentuando, aumentando-se o teor ofensivo até chegar ao cúmulo do participante Yuri ter ferido a lei deste país ao insinuar que Kamilla seria portadora de doença sexualmente transmissível.  E o pior, nenhuma medida legal foi tomada quanto a isso.

Se o Bullying praticado pela casa, per si, seria revoltante, o que dizer da mídia Globo, que no site oficial distorcia tudo o que acontecia com a participante paraense tornando-a “vilã”? Até mesmo a expressão égua, inofensiva no Norte e Nordeste foi veiculada por esta mídia como uma agressão da nortista. Tudo isso com o ranço do preconceito regional. Juntem-se as distorções feitas pelo site oficial com as edições tendenciosas das transmissões pela TV. Junte-se a convocação de “especialistas” a darem diagnósticos sem terem sequer consultado a diagnosticada, publicada no site oficial do BBB. Junte-se o reforço dos blogs de BBB “linkados” pela mídia Global, infelizmente apoiada por outras, na agressão incessante contra a menina Kamilla e temos a receita do monstruoso BBB (Bolo Bullying Brasil), feito nos fornos da Globo, para alimentarem a fome de mentes patológicas por este Brasil afora.

Por conta disso já deixei de assistir ao BBB e estou acompanhando os acontecimentos apenas pela leitura de minha Timeline do Twitter. Votarei apenas no paredão em que a vítima deste Bullying monstruoso, Kamilla, estiver presente, e na sua imerecida saída, se acontecer, deixarei de comentar qualquer coisa relacionada ao BBB no Twitter ou aqui no blog. Posso voltar a escrever sobre Kamilla, mas não mais relacionada ao BBB. E quanto ao Bolo Bullying Brasil, que provoque indigestão em quem se delicie com ele.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O Enigma da Esfinge.




Vou aqui escrever um pouco sobre o casal real. Apesar deste começo irônico, porque não acredito em contos de fadas e acho muito infantil referir-se a um par de BBB como casal real. Quando eu os chamo assim, o faço por ironia, não com eles, mas com a denominação.

Se na Kamilla eu enxergo a participante mais inteligente e com maior percepção do jogo, o par André e Fernanda eu vejo como os maiores jogadores, não no sentido negativo da palavra, afinal o BBB É um jogo. Uma espécie de “War” aonde os dados são os votos do público e a conquista final não é o mundo, mas um milhão e meio de reais.

A Fernanda, para mim não é uma princesa e sim uma Esfinge egípcia. Decifra-me ou te devoro. André a decifrou. Fernanda entrou no jogo ligada a uma santa personagem autora das jogadas mais rasteiras desta edição e encantou-se pelo André. O chamou de príncipe obviamente revindicando para si o título de princesa e uma caralhada (inspirado em Kamilla) de adolescentes e até senhoras de idade que acreditam em contos de fada compraram esta estória. O próprio André não comprou. Apesar de aparentemente gostar de Fernanda (eu acredito que sim, mas não estou dentro da cabeça de ninguém para saber o que sentem) preferiu manter uma história entre DRs (discussão de relacionamento), reconciliações e amizade.

Fernanda joga com a tática do não conflito à exceção do conflito amoroso com André, talvez para assumir o papel de vítima, ou qualquer que seja a intenção, que apenas ela pode saber qual. No momento que precisou mostrar ser amiga da Kamilla, o fez, mas também sem deixar de dar uma queimadinha básica pontuando os defeitos da amiga. E assim vai levando o jogo como uma esfinge indecifrável para quem está aqui fora e que terá como consequência DEVORAR o prêmio. Fernanda é a franca favorita para vencer esta edição.

Correndo por fora está o seu “consorte” André. Observador, inteligente ao nível da Kamilla e talvez por isso haja uma identificação entre os dois, Andre vai construindo o seu jogo de forma cavalheiresca e elegante. Evita os conflitos mas sem medo de comprar briga. Quer se dar bem com todos, foi o primeiro dos novatos a tentar conseguir uma aproximação com os veteranos, inicialmente com Yuri, para perceber se havia ali uma combinação de votos. Percebeu a combinação entre Nasser e Ivan e vem tentando proteger as damas Kamilla e Fernanda, fortalecendo sua imagem cavalheiresca. Vamos ver no domingo se consegue. Se conseguir dará um imenso passo para disputar o prêmio com sua consorte Fernanda.  

O único risco a André está nos movimentos de Natália. As adolescentes que encaram o BBB como contos de fadas ficaram revoltadas com a proximidade dele com a Natália. Ele foi muito criticado por ter se enroscado em festa com a Natália. Mas o que ele poderia fazer? Ele não se enroscou com ela, Natália se enroscou nele. André, de forma mais inteligente que o Elieser com Marien, sabe que uma mulher rejeitada pode ser uma bomba ambulante, então ficou na dele. Não torna a Natália inimiga, mas também não dá corda e já deu umas indiretas bem diretas que não a tornaram sua inimiga, mas que evitou uma maior tentativa de aproximação da fogosa gaúcha.

A minha impressão é que o jogo se resolve na resolução do enigma da esfinge Fernanda, se o André, de fato, já decifrou e vai usar isso no momento certo, ou se o público, por si, decifrará. Caso contrário, como já disse, a esfinge devora o prêmio.