Vinte e poucos anos atrás sofri uma
desilusão amorosa que me levou ao estado de depressão. Minha irmã, para tentar
me animar levou-me para sua fazenda no interior da Bahia para passar o feriadão
do São João. Sem nenhuma animação e cansado de escrever trocentas poesias
patéticas e desenhar trocentos ângulos da minha “alma gêmea” resolvi aceitar.
Em um final de tarde, perto do por do sol, estávamos
eu, minha irmã e seu marido, meus sobrinhos e suas namoradas sentados na frente
da sede da fazenda olhando para a montanha do outro lado, cheia de árvores. De
repente algumas luzes foram se acendendo e apagando. Em poucos minutos se formou
uma gigantesca esteira de vagalumes pairando sobre as árvores como um tapete voador
de luzes pisca-pisca. O tapete começou a
descer a montanha, vindo em nossa direção em um espetáculo dos mais belos que
já assisti na vida. E tudo o que pude pensar foi: “Que pena que ela não está
aqui comigo para ver isso”. Aquele momento de beleza lírica perdia-se na minha
depressão. Que desperdício.
Poucos dias depois de eu ter voltado do São
João no interior da Bahia, recebi um convite para fazer uma pós-graduação no Rio
de Janeiro, aonde vivi os próximos anos e os mais felizes da minha vida. Em
menos de uma semana a natureza me brindou com um espetáculo visual (que apesar
de não ter aproveitado no instante que se dera, graças a excelente memória
visual que tenho, consegui guardar toda a beleza daquele momento) e recebi um brinde
do universo, na forma de um convite, que aceitei para deixar de pensar no amor
perdido, mas que terminou por me fazer encontrar os melhores anos de minha
vida.
Por que me lembro disto agora? Porque estes
dias tive uma grande decepção, não amorosa, mas social, ao perceber o quanto
cruéis podem ser as pessoas com alguém tão cheia de qualidades apenas porque
esta pessoa tem pequenos defeitos que são aceitos, por estas mesmas pessoas
capazes de tanto ódio, em suas relações cotidianas. O que fizeram com Kamilla
neste BBB realmente me abalou.
O que o tapete de vagalumes tem a ver com
isso? Ora, eu NÃO acredito em coincidências, acredito em destino, não no
destino programado, mas no realizado pelo dia a dia. Após ter associado a visão
do tapete de vagalumes ao universo me oferecendo a possibilidade de ser feliz,
toda vez que algo me abala, eu apenas sento, REVIVO a sensação de ver o tapete
voador de vagalumes se formando, descendo a montanha e apenas espero. Espero
que o Universo novamente conspire para me trazer um momento de felicidade
compensatória. E o Universo traz, sempre traz.
Então, abalado pela covardia das pessoas
contra esta menina que é capaz de andar no arco-íris procurando seu pote de
tesouro que não é preenchido de moedas, mas de felicidade, parei, sentei, REVIVI o meu
tapete voador de vagalumes e agora estou à espera. Da compensação do Universo.



