sábado, 12 de maio de 2012

Ventos da vida.


Sentado em tronco de árvore.
Ouvindo o som de grilos.
A música se tornou um luxo.
A água, mesmo com sede, salvo.
Pode ser a vida de amanhã.
Comunicação com o mundo,
Tenho apenas por uma hora ao dia.
Quando tenho.
Os gritos e gemidos não são de prazer,
São de dor. E ainda que de dor,
Trazem prazer, porque significam vida.
Os ventos me trazem o som dos gemidos,
Ainda que de dor, significam vida.
Os ventos ainda trazem notícias.
De que a morte, ao menos hoje,
Foi vencida.
Benditos ventos da vida.
Às vezes penso que ainda estou no mundo,
Apenas por estar.
Outras vezes penso que estou apenas para ser,
Pois mesmo quando não estou sendo,
Sou.

sábado, 5 de maio de 2012

Galeria de Ídolos – Leila Diniz.



Já tinha decidido que o próximo ídolo da galeria seria uma mulher. Fiquei em dúvida se seria a cientista Marie Curie, uma das duas únicas santas que tinha conhecimento, não pelos milagres que fizeram na morte, mas pelos milagres que fizeram na vida, Irmã Dulce ou Madre Tereza. Ou seria Leila Diniz.

Decidi por ser Leila Diniz (1945-1972) porque soube dela antes de saber das demais e principalmente por ser minha primeira paixão impossível.

O que escrever então? Decidi fugir ao tradicional perfil dos retratados da galeria. Leila foi tudo na vida, menos tradicional.

Ao fim, Leila foi uma comunhão de gestos e palavras, que incluíam muitos palavrões, culminando no significado de uma palavra que definia Leila. Mesmo diante da impossibilidade de uma única palavra representar toda a complexidade de um ser humano, esta palavra é capaz de resumir a vida de Leila. A palavra é Liberdade.

Minha paixão por Leila sempre foi e continua sendo muito intensa, tão intensa que o simples fato de pensar em palavras para homenageá-la me emociona. Então resumirei esta homenagem na descrição de um gesto, do anjo Leila, tão plena de gestos e palavras.

Muitos disseram que ao mostrar a barriga grávida Leila levantou a bandeira do feminismo. Não concordo. Ao mostrar a linda barriga grávida Leila pintou com a beleza digna de uma obra de Renoir, o esplendor da maternidade.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Questão de Prioridade


Ontem estava cansado, realmente cansado, após ter discutido com amigos de uma ONG qual a melhor maneira de levar assistência médica a um maior número de pessoas em um curto espaço de tempo disponível. Fui relaxar minha mente e assistir dois filmes românticos que sempre me animam: Escrito nas Estrelas com John Cusack e Kate Beckinsale e Ladrão de Casaca com Cary Grant e Grace Kelly.

Sei que vou perder bastante seguidores no Twitter e leitores do blog com o que vou escrever, mas se seguidores fossem minha prioridade estaria no ramo religioso ou da política. E não estou. Por isso, prefiro manter a honestidade de minhas opiniões.

Perdi a discussão que rolou no Twitter entre torcedores de casais por conta da não realização do paparazzo em conjunto da Renatinha com Jonas. Ainda bem que estava ausente, não li as besteiras usuais. De cabeça quente, teria escrito algo muito mais pesado de forma que poderia ser tomada, quase que justificadamente, como uma agressão. E tenho “amigas” queridas em todos os grupos para não ter o mínimo desejo em agredi-las. Mas ontem, muito possivelmente o teria feito. Lendo algumas besteiras ditas de lado a lado e cheguei a uma conclusão:

Sinceramente esta briga entre Joniques, Peravilas e Dabachs ultrapassou o limite do ridículo e já chegou ao nível do patético.

Um trabalho como o paparazzo entre Renata e Jonas virar comemoração porque não será realizado? Era apenas um trabalho. Vibraram com a perda financeira que os dois sofreram com o fracasso das negociações? Pior foram as teorias de conspirações inventadas de todos os lados. Ora bolas, sabem da razão do fracasso das negociações o paparazzo e a agência de Jonas e Renata, que é a mesma. O resto é especulação.

Neste mesmo momento Jonas e Renata se encontravam em festa em São Paulo, mais um motivo para briga entre Joniques, Peravilas e Dabachs. O encontro virou motivo de ironias. Patético. Se estiveram em um “encontro” ou cumprindo agenda isso diz respeito apenas aos dois. A vida dos dois aos dois pertence, e somente a eles. Será que vão levar uma eternidade para compreender isto?

Após o BBB, Jonas, Renata e Monique seguem a vida procurando o melhor para eles (justíssimo). Mas os fãs parecem não se cansar das baixarias e qualquer coisa que envolva estes três acaba cercada de atitudes e palavras desagradáveis de algum lado. E aqui eu faço um “Mea Culpa”. Acabei de postar no twitter comentários maldosos e, portanto, cometi uma atitude deselegante (o que pra mim é muito depreciativo a respeito da minha conduta) sobre a nudez de Monique. Mas apenas relacionadas à nudez e apesar de deselegante ao menos fui sincero. Porém não mais me referi a pessoa Monique. (Estou tentando salvar um resto de atitude elegante. Convenci?)

Enquanto esta guerrinha de torcidas ocorre, milhões de crianças africanas são submetidas à violência de uma guerra de verdade, sendo ou assistindo suas mães e irmãs estupradas pelos guerrilheiros, seus pais e irmãos mortos pelas facções contrárias em diversos países africanos. Milhões de crianças africanas estão entregues à fome e à doença. E as pessoas ficam revoltados(as) porque Jonas, Renata ou Monique não estão com quem desejariam que estivesse?

Revoltar-se é um direito de todo indivíduo e a escolha dos motivos pelo quais se revolta é uma questão de prioridade.

Mas revoltar-se por formação ou não de um casal é o perfeito exemplo de uma prioridade frívola.


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Caminhada


Caminhava sozinho pela estrada
assoviando alegremente.
Jamais pensando em nada
Quando te vi repentinamente.
Sorrias, garota faceira,
mas nada dizias.
De jeito todo brejeira
quando apenas sorrias.
Sorrias com os olhos castanhos
e ainda mais com a boca.
Não me julgaste estranho.
Não te sabia louca.
Então te apresentaste, linda.
A partir disto, não tive saída.
Apaixonado, numa cegueira infinda,
Não te apercebia caída.
Foste-me então, guiando.
Seguindo o teu caminho na estrada.
Tua mão, minha fome alimentando.
Minha mão te deixando saciada.
Teus gestos, hoje sei, fingidos.
Colocaste-me num mágico universo,
Onde um e um unidos
somavam um,  frente e verso.
Teu próximo passo, iludir-me.
Quem dera tivesse percebido.
Fizeste-me de desejo consumido
Sem ter por onde acudir-me.
Teus braços, afrouxando devagar.
Início do abandono há muito planejado.
Tu, já com o objetivo alcançado.
Eu, ainda caminhando a divagar.
Não percebi após tantas noitadas
Que tu já preparavas a retirada.
Enquanto comemoravas a derrocada
Do ingênuo que andava pelas estradas.
As estradas sozinho voltei.
Jamais tornei a assoviar.
Pensando em tristezas fiquei
Sem direito a sonhar.

Escrita em Janeiro de 1993.

O Pescador.


Imagine lares em mares.
Tire proventos dos ventos.
Coloque sondas nas ondas.
Versos, escrevas em areias,
Para que nada te denuncie.

Sinta a essência da ausência.
Aproveite o carinho do espinho.
Tenha esperança na lembrança.
Sonhe fatos nos matos.
Sorrisos urgem em nuvens.
Basta verdes nos verdes
de meus olhos tão claros
Quanto as luzes os fazem.