Começando do começo que não é o começo.
Hoje assisti a reportagem do SporTV citando o
escândalo de doping mostrado pela emissora alemã ARD e pelo jornal inglês Sunday
Time: Exames realizados em atletas durante este século foram examinados e os
resultados considerados suspeitos em centenas de medalhistas olímpicos e de
campeonatos mundiais.
Qual a novidade?
Desde 2009, no twitter, venho chamando a
atenção sobre a desonestidade de atletas americanos, principalmente Lance
Armstrong e Carl Lewis, dois ícones fabricados às custas de doping e antes
disso, em um blog de tênis, já comentava sobre doping citando o escândalo da
BALCO.
Vou descrever os três maiores escândalos de
doping esportivo, o que significou cada um e as suas consequências:
BALCO – É a sigla de um laboratório americano
investigado em 2002/2003 pelos federais americanos pelo uso de substâncias
elevadoras de performance, o conhecido doping, por atletas profissionais americanos.
Seu dono, Victor Conte, desenvolveu o uso de drogas não detectáveis nos exames
anti-doping realizados na época, principalmente a eritropoietina, hormônio de crescimento
e a “estrela principal” tetrahidrogestrinona. O escândalo eclodiu no verão de
2003 e aí começou a farsa americana. Foram denunciados apenas os atletas de
esportes “menores” e outros que não puniam o doping como o Baseball e o futebol
americano. Sendo assim apenas os famosos destes esportes, como Jason Giambi,
Barry Bonds (Baseball) e Bill Romanowski (NFL). Foram denunciados.
Durante uma investigação por fraude fiscal a
campeã olímpica Marion Jones assumiu o doping e denunciou a BALCO em troca de
diminuição de pena pela fraude fiscal, a tão nossa conhecida hoje, a famosa
delação premiada.
Muitos anos atrás, antes mesmo de entrar no
Twitter, já tinha escrito em comentário no blog de tênis que sempre achei muito
estranho que certas campeãs americanas de tênis se lesionaram assim que o
escândalo eclodiu no verão americano de 2003, com o conhecimento da detecção
destes dopings "invisíveis" , por tempo suficiente para terem o organismo “limpo”
das drogas elevadoras de performance.
Claro que pode ter sido coincidência, muita
coincidência e coincidência é algo que sempre me desperta o desejo de vê-la
provada pela contra-prova da evidência.
CARL LEWIS – Multi-medalhista olímpico, é, na
minha opinião, o protagonista do mais sujo escândalo esportivo de todos os
tempos: O acobertamento do Doping de Lewis por órgãos oficiais do atletismo
americano e internacional.
Eis a história: Em 2003, Dr. Wade Exum,
ex-diretor da USOC (Comitê Olimpíco dos Estados Unidos) liberou dezenas de milhares
de páginas de documentos para a revista americana Sports Illustrated e o jornal
Orange County Register. Nestes documentos, havia referências a diversos atletas
americanos, entre eles, Carl Lewis. Estes documentos mostram que apesar de
terem testado positivo para doping nas seletivas americanas para as olimpíadas
de Seul, Carl Lewis e Mary Joe Fernandez foram acobertados pela USOC e puderam
competir nas Olimpíadas.
Muito mais estranho foi que na prova dos 100
metros em Seul, o canadense Bem Johnson teve sua vitória anulada por doping e o
previamente dopado Carl Lewis, que não poderia estar disputando a prova por ter
sido apanhado em anti-doping nas seletivas, herdou a medalha de ouro.
Lance Armstrong – Todos conhecem a história,
o hepta-campeão (1999/2005) da volta da França, prova ciclista mais
tradicional, foi flagrado em anti-doping.
Nos três casos citados, apenas Armstrong foi
esportivamente punido pelos organizadores da volta da França com suas vitórias
retiradas dos anais e banimento pela UCI (União Ciclista Internacional).
O COI (Comitê Olímpico Internacional),
vergonhosamente insiste em ignorar as provas, somadas pela confissão de Carl
Lewis: “Who cares i failed drugs test?”, e mantém as nove medalhas olímpicas de
ouro e uma de prata. Vergonha para o atletismo, vergonha para as olimpíadas e
principalmente vergonha para o esporte.
Novamente, dos três casos citados, apenas
Armstrong está sendo processado por fraude esportiva.
Quanto ao escândalo mais recente, divulgado
hoje (ontem) pelo SporTV, o patético presidente da Federação Internacional de
Atletismo (IAAF), Lamine Diack, disse que está por trás uma tentativa de mudar
o quadro de medalhas. A IAAF sempre protegeu os atletas americanos, os que mais
seriam penalizados se fossem retiradas suas medalhas.
Não é uma questão de
medalha. Sequer é uma questão puramente esportiva, é também criminal.